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Loulou

"To live a creative life, we must lose our fear of being wrong"

Loulou

"To live a creative life, we must lose our fear of being wrong"

Não se perde um animal... perde-se um membro da família...

"A Poem For Cats

They never leave our memories,

the cats who've shared our lives.

In suptle ways they let us know

their spirit still survives.

Old habits still make us think

we hear a meow at the door.

Or step  back when we drop

a tasty morsel on the floor.

Our feet still go around the place

the food dish used to be,

And, sometimes, coming home at night,

we miss then terribly.

All although time may bring new friends

and a new food dish to fill,

That one place in our hearts

belong to them... and always will"

 

 

 

Na passada quinta-feira à noite, a minha princesinha Bia partiu...

 

Há um ano atrás, tinha acabado de deixar entrar a Ritinha em casa. Contrariada. Com muita resistência, lá deixei que ela viesse para casa. Não só pelo facto de ter outros três. Do receio de que a podiam rejeitar, mas principalmente por... pela morte do meu Matias, o meu gatinho mais velho, de olhos verde esmeralda. Um gatinho maravilhoso que me acompanhou durante quase 18 anos. 

 

Um ano se passou...

E de um dia para o outro tudo descambou. 
Nesta semana que passou, estive de férias. Andava ansiosa por uns dias de merecido descanso e de pôr assuntos em dia. Aqueles que normalmente não temos tempo quando estamos em horário laboral. 

Iam ser umas férias de quase chacha.... mas antes isso do que...

Na sexta-feira, antes do fim de semana do meu dolce fare niente, vendo a barriga da minha gata inchar de forma súbita... como se de um dia para o outro estivesse à espera de bebés... Uma enorme ascite (barriga de água) ocupava-lhe todo o abdómen. Levei-a de urgência ao veterinário. Logo aí e após ser vista, o meu mundo ruiu... O diagnóstico era muito reservado. Havia a suspeita de estarmos a lidar com uma peritonite infecciosa felina ou, na presença de um tumor no fígado. Ficou internada. Qualquer das duas hipóteses era terminal, tal estavam alteradas as suas análises.

Enquanto esteve internada, de sexta à noite a segunda à noite, nada lhe faltou. Com todo o cuidado médico como se de um ser humano se trata-se. Com horários de visita e tudo!

Ansiava pelos momentos em que a ia ver, tanto de manhã, como ao final da tarde. Sempre na esperança de a ver melhor, mas o seu estado ia-se deteriorando.

Na segunda-feira, veio o resultado conclusivo, das citologias e n bateria de análises... tumor com metástases noutros órgãos.

Veio para casa... com os tratamentos paliativos até...

Soro intravenoso, injecções para as dores, para os vómitos, para o fígado... comprimidos para lhe estimular o apetite e... tudo aquilo que ela tivesse vontade de comer. Dar-lhe conforto e o aconchego de casa até ao seu último suspiro...

Ou... até ver que o seu estado se tornava insustentável e a leva-se para adormecer...

Não consegui o fazer. Não sei se o conseguiria fazer... Nem mesmo que pensa-se em o fazer... teria tido tempo para tal...

A Bia... não resistiu...

A um tumor que, aparentemente não deu sinais antes... Nada me indicava o que se passava com ela. Sempre bem disposta, comilona, brincalhona, meiga e.... feliz... Com os seus grandes olhos amendoados sempre prontos para se enroscar no nosso colo.

Até... na quarta-feira, dessa semana, dar com um ligeiro aumento da sua barriga. Ligeiro e uniforme. Bom, não deve ser nada de especial.... pensei eu... Se calhar, foi daquela saqueta de comida nova que ela comeu e lhe vai dar uma volta aos intestinos... Mas não... estava enganada... No dia a seguir a barriga estava maior e na sexta... tive de a levar para ver o que se passava. 

 

Os dias que se seguiram e seguem custam a passar. Cada espaço tem a sua história... a sua memória...

Todos sentimos a sua falta. 

 

Propositadamente.... não colocarei nenhuma foto dela. Não consigo fazê-lo...

 

Quero deixar o meu sincero agradecimento a toda a equipa do Hospital do Gato, em especial à Dra. Ana Cassapo, por todo o cuidado e apoio prestado.

Um Bem Haja!

 

 

 

 

 

 

Às vezes, dou por mim a pensar.... Será que conseguiria viver sem ter um gato?

Hoje...

Dizem ser o dia Internacional do Gato.

Estávamos no ano de 2002 quando a organização International Fund for Animal Welfcare, decidiu que este 8 de Agosto seria a data, para além de celebrar um dos animais domésticos mais famosos do mundo... Terá como objectivo, uma maior consciencialização dos cuidadores para a forma mais correcta de cuidar dos gatos domésticos.

Eu referi cuidadores, em vez de donos, certo?

Quem tem um gato sabe que não é o seu "dono". Nós, apenas cuidados das suas necessidades básicas, em troca dos seus ensinamentos. E quem diz dos gatos, diz o mesmo de qualquer outro ser senciente. Seja ele cão, periquito, hamster, todos têm algo para nos ensinar. Aliás, faz-me imensa confusão dizer-se que se é dono do que quer que seja. Estamos todos aqui de passagem e não se leva nada para... para o que quer que seja que acontece depois da morte.

Então?... Para quê se dizer que se é dono disto e daquilo e depois, quando se cansa do brinquedo, o abandona à sua sorte.... tantas vezes no meio de estradas...

 

CIMG6567.JPG

 

 

 

Mas, para mim...

Todos os dias, são dias do Gato!

 

Todos sabemos que os gatos são aqueles seres fofos, peludos e que nos surpreendem com as suas gracinhas ou travessuras. Mas, é também do senso comum, que, nem todos estamos preparados, para às vezes, compreender alguns dos seus comportamentos e necessidades básicas.

Não sei eu outra coisa!

Ou não tivesse, em casa 4 bolas de pêlo! Cada uma com a sua personalidade e feitio. Cada um com os seus gostos e defeitos...

 

Sempre vivi com gatos. Sempre fizeram parte do meu mundo encantado da bicharada. Mesmo antes de nascer, já viviam gatos, tanto na casa dos meus avós como na dos meus pais. Mais parecia viver num micro mini zoo! 

Às vezes, dou por mim a pensar.... Será que conseguiria viver sem ter um gato?

Claro que sim... mas...

A resposta ainda que óbvia, é claro que se consegue viver sem um animal de estimação. Mas... E há sempre um mas... Com que substitutos, se colmataria todos aqueles momentos proporcionados pela companhia de um animal de estimação? Neste caso um gato?!

O que é que, em alternativa, se enroscaria nas tardes frias de inverno, no nosso colo? Assim como aquele inconfundível som? O ronronar? Que às vezes mais parece um motor dum carro a trabalhar... Quem o faria?

O mesmo som que nos acalma depois de um dia de stress? E que em tantas situações, substitui o médico, o psicólogo e por sequência, a medicação? 

Isto sem esquecer, daquele suave e quase imperceptível, toque do seu húmido nariz nas nossas bochechas, seguido de uma patinha, como que a acariciar-nos? Quem resiste àquele silencioso abraço, quando nos pedem colinho?... Eu não!

Com quem é que aprenderíamos a perder a mania de controlar tudo à nossa volta? 

Exemplo?

Quem já não se passou dos carretos, quando... depois de se varrer a cozinha, "alguém" se lembra de ir brincar com as migalhas, quando andamos à procura da pá? E aquelas calças pretas, acabadas de engomar, que de repente aparecem cheias de pêlo.... no sítio onde as deixámos, bem longe das alminhas? 

Quem melhor que um gato para nos ensinar a escolher amigos? É verdade! Eles sabem quem realmente é nosso amigo! Quem não gosta de animais.... huummmm....

Quem melhor que um gato... para nos acordar de manhã?

Eu cá, já desisti dos despertadores... Só ainda não consegui foi, acertar-lhe os ponteiros. Todos os dias às 6h da manhã! Há lá relógio mais pontual!...

Quem nos ensina a não ter medo de nada? Aranhas... Assim como os súbitos ataques de "paranóia" quando se põem a olhar para o vazio, todos eriçados... que nos deixam com um friozinho cá na espinha... E, depois, desatam a correr dum lado para o outro, feitos tontinhos...

Ah! Estavam só a testar-nos!!!

E quem melhor que um gato, para nos dizer que está na altura de... arrumar as gavetas? Calha um pequeno esquecimento.... uma gaveta mal fechada e lá está um! Há que manter tudo simples e arrumadinho!

Tudo faz parte da convivência com um gato.

Até mesmo quando partem, nos ensinam... que o amor perdura na memória... 

E tanto fica por dizer, que só quem é bafejado pela sorte de ter um gato pode contar!

Eu tenho 4 gatos... ou serão 4 anjos?!

 

 

"O GATO possui beleza sem vaidade,

força sem insolência,

coragem sem ferocidade.

Todas as virtudes do Homem

sem os seus vícios"

 

                                               Lord Byron

 

 

 

É desta que te apanho...

Ó Jaqui!  Deves achar-te muito esperto... 

Deves pensar que não te topo... que a tua presença... corpanzil... não é notada.

Que quando chegas de mansinho, como quem não quer a coisa, observas e rodeias o perímetro. Sim eu sei! Há que analisar o local e descobrir aquele que será o melhor sítio para uma observação estratégica. Das novidades...

Que quando o descobres, é ver-te... em modo gato estátua, como aqueles artistas de rua. Vidrado no que se passa ao teu redor.

Que quando estou em casa, de volta das pinturas (quem ler isto ainda deve pensar que sou cá uma artiiiiiista...). Ou pensas que não te vejo. Em cima da mesa, mesmo coladinho aos tubos das tintas. Isto para não falar, quando te lembras que o frasco onde tenho os pincéis... é uma espécie de ex-libris dos gatos, no que toca a coçador de bigodes.

Ou achas que não sei que, às escondidas, andas a ensinar à Ritinha, os teus melhores truques?...

Sempre em modo de disfarce!

E quando estou de volta das lãs?! Bom... o caso aí é mais grave.... sério... em vez dum passa a dois... três gatos... à volta dos novelos, em cima da revista... nem vale a pena comentar mais... nãaaaaa

Mas ninguém dá por nada.... ninguém...

Invariavelmente... Desta vez e para não fugir à regra, não houve espaço para excepções. 

Sua alteza, tinha que meter o nariz, quer dizer, a bigodaça, aonde não era chamado! Deve estar-lhe na massa do sangue... Eu sei que os gatos são curiosos, mas este, às vezes abusa!

Ora bem...

Andava eu de volta da gaiola - Transformar uma gaiola numa cama de gatos - , tentando tirar umas fotos, mais ou menos em condições e...

Quem aparece vindo do nada?... Quem foi? Quem foi?

Pois...

O Jaqui....

Não é que o desgraçado....parece que me goza? Tantas são as vezes que lhe quero tirar uma foto, uma mísera foto... e naquele momento em que a máquina faz o click... ele, das duas uma, lembra-se de ajeitar o pêlo, descobre que está atrasado para o compromisso com a janela... Ou, põe-se a olhar para o vazio...o lado oposto da câmara. Estar sossegado, nem que sejam umas míseras fracções de segundo é coisa que não é para ele...

E depois faz-me isto... até parece que se coloca estrategicamente para a ocasião?

Bom... talvez seja esta a solução! Talvez tenha encontrado a fórmula certa para conseguir captar uma foto... de jeito do meu gato!

Tenho de voltar a repetir!

 

Ficam 3 fotos de alguns dos best moments de uma fera dentro de uma gaiola...

CIMG8247.JPGCIMG8256.JPG

IMG_20170626_124955.jpg

Eu não digo que ele não pára quieto?!

É impossível não gostar deste gato...

Impossível!...

Livro "Viagem ao Mundo dos Gatos" - no C. Comercial Colombo - 29 de Julho

Já sabem da última novidade?!

Não???!

Eu conto-vos.... É super interessante e envolve... livros e gatos!

Preparados(as)?!

No próximo dia 29 (deste sábado a oito), vai ocorrer a apresentação do novo livro do Clube de Gatos do Sapo - o "VIAGEM AO MUNDO DOS GATOS" - no Colombo?!

É verdade!!!!

Não se esqueçam! 

Marquem já nas vossas agendas! Interrompam as vossas férias... O acontecimento do ano está prestes a realizar-se!

Pelo menos aqui na blogosfera! eheheheh

E... pensam vocês com os vossos botões... Bom, posso dizer que... estarão lá alguns dos autores dos textos do Livro. E também do Blog do Clube (of course).

Daí é a vossa, mega oportunidade, de conhecerem pessoalmente, ao vivo e a cores, alguns dos rostos por detrás dos textos! 

Agora, não digam que não ficaram curiosos... Huuuummmm.... poder conhecer.... cof... cof....

Sim?!

Então, já sabem... dia 29... deste mês... de Julho! Estamos lá!!!!

Ah, é verdade! Já me esquecia! E ainda por cima o mais importante...

As receitas da venda dos livros (2ª edição...cof... cof....) revertem inteiramente para associações de protecção animal. Querem saber quais? Eu digo-vos:

Tico & Teco
Projecto Amor Animal
Adoromimos

Convite Colombo.jpg

Fica um pouquinho do que podem encontrar no livro! Espero que gostem! Excerto dum texto publicado a 08.11.16 - aqui

 

Pequenina e muito... mas mesmo muuuuiiiiito meiguinha, apareceu no jardim do escritório... uma gatinha....

Muito novinha e com uma coleira cor de rosa. Via-se que deveria ter sido um animal que estava habituado ao contacto com pessoas e com outros animais. Pois não tinha medo dos outros gatos que por lá passam... dos vizinhos... pelo menos os nossos conhecidos e dos nossos apadrinhados.

Assim que foi descoberta, a  primeira preocupação foi tentar encontrar o responsável pela bichita... nas redondezas. Não fosse ter fugido e andassem desesperados à procura dela. Falou-se com conhecidos e desconhecidos. Deixou-se recados em mercearias, correios... fotos... Mas até à presente data não apareceu ninguém. 

Na volta puseram-na a andar aquando do primeiro cio.

Agora se aparecer alguém... já vai tarde!...

Os dias foram passando e mesmo com um abrigo improvisado o frio começa-se a sentir e saber que a gatita ficava à noite desamparada, ao frio e à chuva... ainda mais apertado o nosso coração ficava.

Concordamos todos que ela tinha que ser adoptada. Alguém tinha que ficar responsável e a levar para casa... pelo menos até uma situação mais definida ou efectiva....

De agora em diante iria ser a Ritinha.

 

 

 

 

 

Ritinha... a fugitiva... já está em casa novamente

Hoje....

Agora, que escrevo já consigo estar bem mais calma. Já tenho a minha Ritinha novamente em casa. 

Ontem...

Ontem não foi bem assim... Que susto, que horas de aflição passamos nós ontem... que noite... E tinha que ser logo a uma segunda-feira... Parece-me que os inícios de semana querem ter um malapata comigo... enfim... Mas agora, já está tudo mais calmo.

Nunca pensei ter que passar por uma experiência destas. Hoje, como ninguém, ou melhor como só por quem já passou pela experiência de saber que o seu animal de estimação se perdeu, por qualquer razão alheia à nossa vontade... nos foge de casa e desaparece... Compreendo o que se sofre. Até ontem, tinha uma ideia vaga do que seria sentirmos-nos impotentes, perante um não saber o que fazer. Talvez até fosse um pouco recriminatória e pensar, mas que falta de atenção... Agora não posso dizer ou pensar o mesmo... 

Como ela fugiu de casa? Porque o fez? E agora? Ai se me foge para a rua e é atropelada. Ou se foge para os quintais vizinhos e se perde? As horas a passar e ela sem comer, sem beber água, sozinha... E tantas mais perguntas rodopiavam num turbilhão de pensamentos, na minha cabeça. Para onde mais recorrer, quando se percorreu todos os lugares possíveis e imaginários e nem sombras da gata. Aquele sofrimento desesperante e distante estava agora em mim.

A única coisa que sabia era que ela tinha se escapado, porta fora, a quando da saída de casa do meu pai. Nunca antes o fizera. Nunca antes tinha dado sinais de querer sair. Nem sequer se aproximava da porta da rua. Como, se ainda se lembra-se do que passou. Do que sofrera até chegar a minha casa. Talvez seja a minha interpretação dos factos, do tempo em que esteve na rua e do que possa ter passado. Certo é que nunca se sabe o que vai na cabeça daquelas criaturas. 

O meu pai angustiado, por ter sido com ele que ela fugira. Como se tivesse tido alguma culpa. E eu, no escritório, sem poder sair... a ansiar pela hora do almoço, para ir à sua procura. Acalentava a esperança que ela não se tivesse afastado muito, que ainda estivesse no jardim, escondida no meio da vegetação, ou quem sabe... subido a um árvore, mas em casa. Ainda a vi, estive a menos de um palmo de a agarrar. Deita-me um olhar, que interpretei como de "olha para mim a ignorar-te" e foge. Ainda vou a correr atrás dela, mas perco-a de vista. Chamo... chamo... até ficar com a garganta seca e nem sinais dela. Estaria assustada. Estaria com medo de algum gato, dos vizinhos que por lá se passeiam e a tenham intimidado? Não sei responder. Só sei que que "caí" numa angustia tremenda por não conseguir a agarrar e a levar novamente para casa. O que iria ser da minha bichinha se não mais a visse...

Vizinhos foram alertados, amigos e conhecidos em busca da gata e nem sinais dela. E eu teria de voltar para o escritório. O corpo estava, o resto não... E sentimos-nos vazias... ocas... impotentes. Por um bichinho que está a poucos dias de fazer 7 meses, do dia em que veio para casa. A Ritinha, a mesma que fui renitente na sua vinda para casa, com receio dos outros 3. A mesma que me cativou, e se eles sabem bem o fazer! Que aos poucos foi ganhando o seu lugar na casa, que com o Jaqui brincava às escondidas, com a Bia tinha uma relação cordial e com a Nikki, a rainha cá da cocada, à minha frente é muita paz e amor, assim que viro as costas, gosta de mostrar que quem manda no pedaço é ela. Nunca se agrediram, nunca brigaram. Apenas uns arrufos. Nada mais. Mas até isso estava muito mais calmo. Já era esporádico.

Continuo sem saber a razão pela qual ela ontem fugiu...

Ao final da tarde, de volta a casa, já sem qualquer esperança de a ver... volto a percorrer o espaço. Volto a chamar por ela. E descubro-a. Em cima dum esteiro. Chamo por ela. E volta-me a ignorar... Corro a casa para trazer-lhe um pratinho com comida, a preferida. Talvez o odor da comida a fizesse aproximar de mim. E nada... Afastava-se mais. Para a zona que a todo o custo queria evitar que fosse. O muro que dá acesso aos vizinhos. Ainda por mais sabendo que, por acaso, não estavam aquela hora em casa. Estive nisto até às 11 horas da noite. O cansaço vencera-nos. Ela dava sinais de querer ficar ali a noite. Amanhã seria um novo dia, talvez mais calma, fosse mais fácil a agarrar. Até aqui nem um miado de reconhecimento me fizera. Nada. Simplesmente me ignorava.

Hoje, bem cedo, e depois de uma noite mal dormida. Se é que dormi alguma coisa?... Voltei ao local onde a tinha avistado pela última vez. Não a vi... Voltei a chamar, e a chamar e nisto oiço um miado baixinho. Não era a minha Ritinha, era a Sissi, a gatinha do vizinho.

Agora é que nunca mais a vou ver...

E novamente um miado, baixinho. Desta vez não era da Sissi, o som vinha de cima, do esteiro. E lá estava ela. A reconhecer-me a querer descer e não saber como. Lá vou buscar um escadote, tento me aproximar dela e ela, renitente, afasta-se.

Não, por aqui não é solução. Talvez um pratinho de comida, consiga ser o isco, para a agarrar. Subi novamente ao escadote. Chamei por ela. O cheiro da comida, associado a uma barriga a dar horas, foi mais forte e aproximou-se. O suficiente para a agarrar, com todo o cuidado. Ou não fossemos as duas cair do escadote. Desci, tranquilamente com ela no colo. Até aqui estava a correr tudo tão bem... Estava até ela ver a gata e se assustar e entrar em paranóia, bufar, estrebuchar, arranhar-me toda. E quase... quase me fugir novamente. Não sei se a magoei, mas consegui segurar-lhe as quatro patas e encaminhar-me para casa. Onde acalmou... comeu, bebeu e agora descansa. Trancada no meu quarto.

Agora é tempo de sarar as feridas. As arranhadelas que me deixou, e não foram poucas. Mas principalmente, as feridas que se abriram por ter passado por uma experiência como esta. Felizmente, a minha Ritinha está agora, novamente em casa. Outros tantos não podem dizer o mesmo.

Agora sei o que se sofre...

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